Hoje, logo cedo, cheguei ao IMB para uma manhã de avaliações. Era uma segunda-feira comum. Eu estava de tênis, com uma roupa bem informal, quando uma paciente me reconheceu na recepção e fez questão de me procurar para elogiar o atendimento da minha equipe.
Talvez ela nem imagine o impacto que aquele gesto teve em mim.
Sempre que alguém elogia a experiência que viveu no Instituto, sinto que anos de trabalho silencioso valeram a pena. Porque excelência nunca foi apenas sobre os procedimentos que realizamos. Ela sempre esteve nos detalhes.
Durante muito tempo, era comum eu ir ao Instituto aos sábados e domingos apenas para conferir se tudo estava impecável: a limpeza, as flores, a organização dos ambientes. Não porque alguém estivesse olhando, mas porque eu nunca soube fazer diferente. A gente nunca sabe quem vai entrar pela porta e todos merecem a mesma experiência.
O elogio de hoje também me fez voltar 18 anos no tempo.

Quando cheguei a São Paulo, vim para ser instrumentadora cirúrgica de um cirurgião plástico especialista em rinoplastia. Meu dia começava às quatro e meia da manhã. Às cinco, eu já precisava estar no hospital, e a mesa cirúrgica tinha que estar impecável.
Eu sabia que ser Instrumentadora não era minha maior habilidade. Houve momentos em que meu trabalho foi corrigido e cobrado, mas nunca me lembro de ter reclamado. Eu simplesmente fazia o meu melhor, porque entendia que, mesmo não estando na função dos meus sonhos, aquela oportunidade merecia ser respeitada.
Os anos passaram. Fui para a gestão daquela clínica médica , também atuei na área comercial, exerci a fisioterapia e, só mais tarde, construí o meu próprio instituto.
Hoje, olhando para trás, percebo que nenhuma dessas oportunidades surgiu por acaso.
Existe a crença de que o sucesso depende de fórmulas mágicas, networking estratégico ou grandes movimentos. Eu penso diferente.
Networking não é colecionar contatos. É construir confiança.
Foi isso que procurei fazer ao longo da minha trajetória: interessar-me genuinamente pelas pessoas, cuidar de cada paciente como se fosse único e criar uma cultura em que acolhimento, experiência e excelência caminham juntos.
Hoje, acredito que o sucesso raramente nasce de algo extraordinário. Ele nasce da capacidade de fazer o básico extraordinariamente bem, todos os dias.
Sem plateia e sem atalhos.
Sem saber quando aquela semente germinará.
E talvez essa seja a parte mais bonita da jornada: um dia, você percebe que está colhendo frutos que jamais imaginou colher e que a vida pode entregar muito mais do que tivemos coragem de sonhar.
Eu sou prova disso.
Muitas das maiores conquistas da minha vida não nasceram de um plano perfeito, nasceram da constância.
Porque, no fim, a verdadeira raridade não está no talento nem na sorte, mas na consistência de quem escolhe fazer o certo, todos os dias.
Marina Berti