Empreender é uma das experiências mais estimulantes da minha vida, mas seria pouco verdadeiro falar sobre liderança apenas pelo lado das conquistas.

Hoje estou à frente de três empresas, lidero equipes, acompanho pessoas, pacientes, projetos e processos, enquanto continuo exercendo minha profissão e construindo novos caminhos. Minha vida é extremamente ativa e eu gosto dela assim. Mas existe uma carga mental importante por trás de quem empreende e, principalmente, de quem lidera pessoas.

Porque liderar não é apenas entregar resultados. É tomar decisões difíceis, administrar conflitos, lidar com imprevistos, sustentar uma cultura e, muitas vezes, ser a pessoa para quem todos olham quando alguma coisa precisa ser resolvida. E isso pode afetar a saúde mental de quem está à frente de uma empresa. Mas pode afetar, na minha opinião, principalmente, a saúde mental de quem trabalha nela. Esse talvez seja um dos maiores aprendizados que tive como gestora.

Sou extremamente exigente. Comigo mesma, antes de qualquer pessoa. Gosto de excelência, de comprometimento e tenho muita dificuldade com o “mais ou menos”. 

Continuo acreditando que uma equipe de alta performance precisa de responsabilidade, disciplina e entrega. Cuidar da saúde mental não significa eliminar cobrança, metas ou expectativas. Significa entender que existem pessoas por trás dos resultados.

E pessoas têm dias difíceis. Têm família, problemas, inseguranças, limites e momentos em que não estão na sua melhor versão. Com o tempo, fui entendendo que minha responsabilidade como líder também é perceber isso. Nem sempre vou conseguir resolver o problema de alguém, e nem acho que esse seja o papel de uma empresa. Mas posso construir um ambiente em que as pessoas tenham espaço para conversar, pedir ajuda e dizer que alguma coisa não está bem. Posso cobrar sem humilhar. Corrigir sem diminuir. Posso ser firme sem perder a humanidade. E também preciso aplicar essa mesma lógica a mim.

Minha rotina é intensa e minha cabeça dificilmente desliga sozinha. Por isso, aprendi a criar meus próprios mecanismos de equilíbrio. Faço atividade física, meditação e yoga três vezes por semana. E, quando percebo que meu “drive” mental está cheio demais, busco formas mais profundas de me desconectar. Caminhar é uma delas. Já fiz peregrinações de quase 200 quilômetros até Aparecida e também faço retiros espirituais. Para mim, esses momentos funcionam como um verdadeiro reset. É quando saio do ritmo das decisões, das mensagens, das agendas e das responsabilidades e volto a escutar meus pensamentos.

Minha espiritualidade tem um papel enorme nisso. Talvez porque ela me lembre de algo especialmente difícil para quem empreende: nem tudo depende de nós e nem tudo pode ser controlado. Ainda estou aprendendo. 

Aprendendo a reconhecer meus limites, a respeitar os limites dos outros e, principalmente, a entender que produtividade não pode ser o único indicador de que uma pessoa está bem. No Setembro Amarelo, fala-se muito sobre a importância de olhar para quem está ao nosso lado. Dentro das empresas, esse olhar também precisa existir. Acredito cada vez mais que saúde mental e alta performance não são conceitos opostos. Pelo contrário. Empresas fortes são construídas por pessoas que se sentem respeitadas, pertencentes e conscientes de que podem buscar ajuda quando precisam. No fim, cuidar das pessoas não diminui a exigência de uma empresa. Qualifica a liderança. E talvez uma das maiores responsabilidades de quem ocupa uma posição de gestão seja justamente essa: continuar buscando resultados sem esquecer que, antes dos cargos, das metas e dos números, existem seres humanos. Inclusive nós mesmos.

IMAGEM | CRÉDITO: Fernanda Toigo.

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